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mami 2

Eu não sei o que é ser mãe. Mesmo que o amor que eu sinto pelos meus sobrinhos me faz transbordar de amor, alegria, ansiedade… Eu sei que mães tem algo a mais. Um cuidado, uma preocupação. Uma intuição. Um amor. E como elas conseguem administrar a vida com a gente na barra da saia? Eu não consigo administrar aula, trabalho e banho! Não interessa nossa idade, não interessa a distância entre a gente. Elas estão sempre lá. Talvez não quando a gente queira, mas sempre que a gente precisa.

A distância

Dizer tchau pra uma mãe dói. Eu sofro. Mas a minha mãe? Ela é uma mistura de: “vai, minha filha!” Com: “Meu Deus como ela vai tá longe.” E sempre um: “Te cuida. Te cuida!”

Esse misto de razão e emoção na dose certa. Que não prende, mas que também não abandona. Um sentimento guiado pelo desejo de felicidade alheia. Felicidade desse serhumanozinho que nós somos. E a gente sabe que por muitos anos a gente traz mais trabalho do que felicidade pra elas, mas não interessa. Ao contrário de nós, mães sabem o que querem.

De todas as vezes que eu já coloquei a mochila nas costas e peguei meus trapinhos, quando eu olho pra trás é ela que tá lá: segurando as duas mãos perto do rosto, dando umas acenadas e lavada em lágrimas. Não interessa quantas vezes que essa cena já se repetiu. Ela tá lá. Do jeitinho mãe dela. Sofrendo, eu sei, mas me deixando voar.

A força

Oh mãe! Quanta força. De onde vem tudo isso, meu Deus? Desde as inúmeras noites acordadas, até a briga pra comer direito, até a sofrência nos tempos de escola. Até as injustiças, aquela vontade de matar a mãe do outro coleguinha que acha que é normal, quando não é.

Elas choram, brigam, se decepcionam. Mas quando a gente vê elas tão lá: fortes! Colocando ordem na selva.

E o jeito que elas sofrem com o nosso sofrimento?  E como elas dão um jeito em tudo? Poxa, mãe! Como se faz pra ser forte assim? Eu levo um pé na bunda e meu mundo se acaba! Como?

O amor

Eu acho que o amor é a explicação pra toda e qualquer pergunta quando o assunto é mãe. Elas amam. Elas educam porque amam. Elas colocam de castigo porque amam. Elas dizem aquele “De jeito nenhum” porque amam. Elas são fortes porque amam. Elas deixam a gente partir porque amam.

Elas ficam em casa porque amam. Elas vão pro trabalho porque amam. Elas mudam o mundo porque amam.

Resultado

O resultado dessa mistura toda somos nós. Num dia cheios de defeitos, dúvidas, inseguranças. No outro dia cheios de atitudes, decisões e responsabilidades. O resultado somos nós, de qualquer jeito, mas que pra elas não faz a menor diferença. Elas são mães. Elas entendem. E se não entendem, elas brigam. E daí elas ensinam. E seguem amando.

E tudo isso é o que a gente ACHA que é. Talvez não seja. Porque pra nós elas são únicas, tão iguais e tão diferentes. Tão fortes e tão sensíveis. Tão mães!

Mas aí a gente cresce. E vê que a gente pede demais. Que a gente espera demais. Que a gente tratou aquela mulher forte como se elas não cansassem. E a gente só se dá conta disso porque a gente começa a cansar e pensa: como ela consegue?

 

A minha mãe desde sempre me falou que eu fui criada pro mundo. Me ensinou sobre feminismo sem nunca ter lido um livro sobre isso. Me ensinou a ser forte, independente, passarinho solto. Que tudo é possível, basta querer. Me ensinou sobre o poder do amor e do recomeço. Primeiro, me deu a base de tudo. E depois, me deu asas. E nada melhor do que ter a possibilidade de voar e saber que a barra da saia dela vai tá sempre lá pra eu pousar.

 

Tags : amorcasadistânciamãesaudadeviagem
Fernanda Fell

The author Fernanda Fell

Jornalista. Apaixonada por uma boa história. Dinda de príncipe e princesa. Minha mãe diz que fui criada pro mundo. Passarinho solto. Estou descobrindo a liberdade que as minhas asas podem me dar.

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